Antes de darmos continuidade ao estudo dos cames, se faz essencial que conheçamos a sua nomenclatura e, para isto, vamos tomar como base a figura 1, que apresenta o esquema de um mecanismo came-seguidor de rolete do tipo radial com eixo centrado.
Figura 1- Nomenclatura do Mecanismos Came-Seguidor
- Contorno do Came – Ou perfil do came, diz respeito à geometria da mesma, ou seja é a parte física gerada pela ferramenta de corte em função da curva total projetada;
- Circunferência de Base – É a menor circunferência, centrada no eixo de giro do came, que pode ser inscrita ao seu perfil, esta tangencia o contorno do came em seu ponto mais baixo;
- Curva Primitiva – Existindo somente nos cames de rolete, é a curva descrita pelo lugar geométrico do centro do rolete quando de um giro completo do came. Em geral é esta a curva inicialmente definida pelos diagramas de elevação e somente após isto é que se traça o contorno do came;
- Circunferência Principal – Menor circunferência inscrita na curva primitiva centrada no eixo de rotação do came. É de suma importância na obtenção da geometria do came e, em função do ângulo de pressão, define as suas características;
- Ângulo de Pressão – O ângulo de pressão \(\varphi\) é formado pelo eixo do seguidor com a direção normal à curva primitiva no centro do rolete, este é um parâmetro de suma importância no projeto de cames;
- Ponto Primitivo – É o ponto, sobre a curva primitiva, onde ocorre o maior ângulo de pressão. Quando se é conhecido o sentido de giro do came, podemos distinguir o ponto primitivo da elevação e o ponto primitivo do retorno;
- Circunferência Primitiva – Circunferência centrada no eixo de giro e que passa pelo ponto primitivo. Tem-se sempre duas circunferências primitivas, uma de elevação e outra de retorno, porém dependendo da situação elas são coincidentes.
Obtenção Gráfica do Contorno
Com o advento das modernas técnicas de fabricação, o método de traçado gráfico do contorno do came não tem mais utilização nos dias de hoje, porém o método ilustra bem a obtenção do contorno do came, mais especificamente a curva primitiva, e dá um boa ideia para o aluno de como funciona, e da importância da circunferência principal dentro da geometria do came. para um melhor entendimento, após a subdivisão em segmentos iguais, do gráfico total da elevação, figura2.
Figura 2 – Subdivisão da curva em segmentos angulares iguais.
A figura 3 mostra em duas etapas a obtenção da curva primitiva, primeiramente dividindo-se a circunferência principal em igual número de segmentos (16 ao todo) e numerando-os tal qual foi feito no gráfico da figura 2 acima, logo em seguida se colocam as alturas h’s em seu correspondente numérico. Em seguida, item (b) da figura se ligam os pontos numerados na ordem até se fechar a curva.
Figura 3 – Marcação e traçado da Curva Primitiva.
O que tamos na figura 3, em verdade, é o contorno da curva primitiva quando se trata de seguidores de rolos, para obtermos o contorno efetivo do came, devemos efetuar um “offset” para dentro, nesta curva, igual ao raio do rolete, como pode ser visto na figura 4. Caso o contato do seguido com o came seja do tipo “ponta de faca”, a curva primitiva se confunde com o contorno do came.
